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Criaturas geneticamente modificadas inspiram exposição em São Paulo

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Camila Boehm – Repórter da Agência Brasil


Esculturas que misturam o realismo e o fantástico, com inspiração em pesquisas de biotecnologia e engenharia genética, estão na primeira exposição da artista Patricia Piccinini no Brasil, chamada ComCiência. As obras, que circulam entre o hiper e o surrealismo, têm características humanas, escala de tamanho real e questionam os efeitos da ciência, além dos limites morais e éticos do homem no mundo contemporâneo.

Realidade e fantasia ajudam a artista a refletir também sobre o conceito de beleza e normalidade. Em “O visitante bem-vindo”, uma criatura estranha, com traços de primatas, está diante de uma menina, em cima da cama. Ela sorri encantada, sem nenhum medo ou estranhamento. Para uma criança, a percepção do que é considerado belo pode ser muito abrangente, incluindo o ser mutante que está diante dela. “Trata-se de uma obra sobre a aceitação”, diz o curador Marcello Dantas.

Na cabeceira da mesma cama, está um pavão, que, segundo a artista, tem a beleza como vantagem seletiva. Piccinini escreve: “Minhas criaturas, apesar de estranhas e por vezes inquietantes, não são assustadoras. Em vez disso, é a sua vulnerabilidade que muitas vezes vem à tona. Elas pedem que olhemos além de sua estranheza, nos convidando a aceitá-las”.

A intenção da artista foi contemplada. “O carisma e o afeto com os seres humanos, essa conexão com um ser que, para nós, parece tão estranho e tão feio, nos remete também ao belo. Esse afeto transcende a feiura, é muito belo”, disse Paloma Costa, 38 anos, ao visitar a exposição. “Isso me faz refletir, não é uma coisa assim tão utópica chegar ao futuro e os cientistas começarem a perceber essa mistura entre ser humano e outros animais para criar habilidades. Me abriu a mente”, acrescentou.

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Em outro momento da mostra, uma criança sustenta seu corpo com apenas um dos braços, é um garoto aparentemente forte. Mais de perto, o menino não parece completamente humano, seus dedos dos pés são grudados, como uma nadadeira, e seu rosto lembra uma foca. Piccinini traz ao público a questão das mutações em laboratório, questionando se seriam seres superiores ou ainda super-heróis, uma resposta que ainda não temos. “Te faz pensar que, de repente, o teu filho pode ter genes de um morcego, que pode ver no escuro e pode ter habilidades daquele animal”, disse Paloma.

As mutações genéticas, que permeiam o trabalho da artista, podem ser vistas ainda nas obras chamadas “Metaflora”, em que flores são compostas de pele semelhante à humana, cabelo, línguas e garras, refletindo sobre o cultivo de alimentos geneticamente modificados. Segundo a artista, as pessoas são cercadas por modificações genéticas escondidas nos alimentos e animais, sem ao menos se dar conta disso.

Há também uma flor gigante que põe ovos, demonstrando uma junção de características animais e vegetais, com textura de pele humana. Essa espécie está no meio de um jardim com flores brancas em forma de ovário, o que reflete um desejo de reprodução e, por consequência, de sobrevivência.

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Há quem faça relação entre as obras de Patricia Piccinini e Ron Mueck, que expôs na Pinacoteca de São Paulo, e que impressionaram pelo realismo dos personagens e pelo perfeccionismo do artista. Assim como Patricia, ele usou materiais como fibra de vidro, fios de cabelo e silicone para reproduzir cada detalhe do corpo humano.

Cíntia Carvalho, 24, visitou ambas exposições e gosta da semelhança das esculturas com os seres humanos. Ela destacou a forma como os dois artistas escolhem materiais que transformam as obras em algo mais humano e mais próximo do real. “Parece que são pessoas mesmo, seres humanos, parece que são feitos de carne e osso. Qualquer pessoa que foi à exposição do Ron Mueck pode fazer o mesmo comparativo”, disse.

A exposição ComCiência Expo ComCiência fica até 4 de janeiro, no Centro Cultural Banco do Brasil. A entrada é franca.

Edição: Carolina Pimentel

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Músicos do Legião Urbana se apresentam em Cuiabá

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VINICIUS LEMOS
DA REDAÇÃO – MIDIANEWS

Um show histórico será apresentado esta noite, às 21h30, em Cuiabá, no Centro de Eventos do Pantanal. Os músicos Dado Villas Lobos & Marcelo Bonfá, integrantes da formação original do Legião Urbana, apresentam o show Legião Urbana XXX anos.

O espetáculo marca a comemoração dos 30 anos de lançamento do primeiro disco da banda e reúne todos os sucessos da obra, na primeira parte do show, com apresentação do cantor André Frateschi nos vocais.

Na segunda parte, Dado e Bonfá vão receber convidados especiais para fazer parte da Legião com 15 canções que se tornaram hits de sucesso, como Tempo Perdido, e as faixas do CD 4 Estações ( Há tempos, Pais e Filhos, Meninos e Meninas, Quando o Sol Bater”).

O músico Marcelo Bonfá conversou com o MidiaNews na tarde deste sábado (19), e comentou sobre as expectativas para o show.
Valdineia Fernandes/Mário Zeferino
Legião Urbana
Marcelo Bonfá comemorou o encontro de gerações presentes no show, que acontecerá neste sábado (19)

“Estamos animados para a apresentação. Essa turnê representa um momento muito especial para a nossa carreira. Depois dos 50 anos, a gente passa a ver o tempo de outro modo”, comentou.

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O público presente no show deverá ser composto por pessoas de todas as idades, incluindo fãs que acompanharam a época de auge da banda e outros que nasceram após o final do grupo.

“Essa mistura de pessoas é muito bonita. Fico muito feliz vivendo esse momento”.

“São várias gerações acompanhando o show. Essa nova galera, da internet, tem acesso ativo a todos os conteúdos”, completou Bonfá.

O músico se prepara para lançar um disco com regravações de músicas que tem como temática a cachaça, item do qual ele tornou-se produtor.

“Há cinco anos estou trabalhando com cachaça e, agora, resolvi lançar um CD somente com músicas sobre o tema”, disse.

Outro destaque do show, Dado Villas Lobos chegou contente ao almoço da banda neste sábado (19). Ele comemorava o fato de ter ganhado uma viola de cocho, instrumento típico da região, após uma visita ao ateliê do artista Alcides Santos, filho do ícone da cultura popular, Seo Caetano dos Santos.

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“Estou bastante contente com meu presente [a viola de cocho]. Para hoje à noite, espero que todos compareçam ao show, no Centro de Eventos do Pantanal, em Cuiabá”, convidou Villas Lobos.

A abertura dos portões será feita às 21h30 e os ingressos podem ser comprados no site da Casa de Festas (Clique Aqui) ou no próprio Centro de Eventos do Pantanal, que está com a bilheteria funcionando durante todo este sábado (19).

Os ingressos para a pista custam R$ 30 (meia) e R$ 60 (inteira). O camarote está em torno de R$ 100, conforme a organização.
Valdineia Fernandes/Mário Zeferino
Legião Urbana
Músicos almoçaram no restaurante árabe “Al Manzul”, em Cuiabá

Almoço no Al Manzul

Neste sábado, os músicos almoçaram no restaurante árabe da região, Al Manzul. Os artistas elogiaram o estabelecimento.

Conforme o proprietário do local, Jamil Ayoub, Marcelo Bonfá se encantou com o restaurante.

“O Bonfá contou que ficou impressionado com o ambiente e a decoração do local. Ele não esperava encontrar algo tão incrível como o Al Manzul em Cuiabá”, disse Ayoub.

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